Durante muito tempo, eu achei que cuidar de mim significava deixar alguma responsabilidade de lado. Hoje entendo que foi justamente quando comecei a me cuidar que consegui voltar a me sentir inteira.
Eu sempre fui uma pessoa muito ativa. Durante a infância e a adolescência, pratiquei vários esportes. Fiz balé, joguei vôlei, pratiquei hóquei tradicional e até fiz musculação durante um período.
Movimentar o corpo fazia parte da minha vida. Mas, quando entrei na fase adulta, tudo mudou.
Com os filhos, a casa, os compromissos e toda a correria da rotina, fui deixando essa parte de mim de lado. Sem perceber, acabei me tornando uma pessoa muito sedentária.
Minha rotina era basicamente casa, filhos, casa outra vez e mais responsabilidades. Uma realidade muito comum na vida de tantas mães.
Apesar disso, a vontade de voltar a me movimentar nunca desapareceu.
O momento em que decidi começar
Algumas situações aconteceram na minha vida pessoal e me fizeram repensar a maneira como eu estava vivendo.
A perda da minha mãe foi uma delas.
Essa experiência me fez pensar mais sobre saúde, sobre o tempo, sobre aproveitar a vida e também sobre a forma como eu estava cuidando de mim.
Em vez de continuar esperando pelo momento perfeito, decidi apenas começar.
Comecei a academia em março. Já se passaram cerca de quatro meses desde o início dessa nova fase, embora eu tenha precisado fazer uma pausa no caminho.
A culpa de tirar um tempo para mim
A minha maior dificuldade no começo não foi exatamente o treino.
Foi deixar de lado aquela sensação de que eu estava abandonando minhas responsabilidades para fazer algo por mim.
Eu pensava:
“Será que estou deixando minhas responsabilidades de lado?”
Além da culpa, também existia a vergonha. No primeiro dia, eu me senti bem perdida.
É difícil entrar em um ambiente novo sem saber exatamente como usar os aparelhos, como fazer os exercícios ou qual é o nosso lugar ali.
Felizmente, meu marido começou a ir comigo. Ter a companhia dele tornou esse processo mais leve e me ajudou a ganhar confiança.
Como organizei a rotina com meus filhos
No começo, conciliar a academia com a casa, os filhos e os compromissos não foi tão simples.
O combinado é irmos pela manhã. Quando isso não é possível, vou depois de buscar as crianças na escola.
A rotina só começou a funcionar de verdade quando conversei com meus filhos e expliquei que eu precisava da colaboração deles.
Eles entenderam muito bem.
Começaram a cuidar mais uns dos outros, arrumar as próprias bagunças, se comportar melhor e, principalmente, evitar brigas.
Aos poucos, todo mundo passou a fazer a sua parte.
Foi aí que percebi algo importante: cuidar de mim não significava deixar de cuidar da minha família. Significava permitir que todos também desenvolvessem mais responsabilidade.
As mudanças que já comecei a perceber
Uma das maiores mudanças foi na minha disposição.
Antes, eu sentia dores no joelho e na lombar praticamente todos os dias. Alguns movimentos simples já eram desconfortáveis.
Hoje consigo me abaixar com mais facilidade e fazer movimentos comuns sem sentir aquelas mesmas dores.
Pode parecer algo pequeno, mas recuperar esses movimentos fez uma diferença enorme na minha rotina.
Também comecei a perceber mudanças no meu corpo.
Ainda perdi pouco peso, até porque não comecei uma dieta de verdade. Mesmo assim, meu corpo está ficando mais torneado e minha pele parece mais firme.
Isso mostra que a balança não é a única maneira de enxergar o progresso.
Às vezes, a mudança aparece na força, na postura, na disposição, nas roupas e na maneira como começamos a nos enxergar.
Voltar a usar roupas de que eu gosto
Uma das melhores mudanças aconteceu na minha autoestima.
Antes, muitas vezes eu precisava escolher uma roupa pensando apenas no que servia.
Aos poucos, voltei a usar vestidos e a escolher peças porque realmente gosto delas.
Essa sensação é maravilhosa.
Não é apenas sobre caber em uma roupa. É sobre voltar a se reconhecer, se sentir bonita e ter prazer em se arrumar.
Meu treino favorito e o que eu menos gosto
Atualmente, estou indo à academia seis vezes por semana.
O meu treino favorito é o de membros superiores. Já o cardio é a parte de que menos gosto.
Para começar o cardio é um sofrimento, mas, depois que começo, não quero mais parar. Parece contraditório, mas é exatamente assim.
Acho que isso também resume um pouco a academia: muitas vezes, a parte mais difícil é começar.
A pausa que eu não esperava
No final de junho, meu filho sofreu um acidente.
Por causa disso, fiquei cerca de 30 dias sem ir à academia. Naquele momento, minha prioridade precisava ser ele e tudo o que estava acontecendo com a nossa família.
Há duas semanas, consegui voltar.
Essa volta também foi importante para mim, porque mostrou que uma pausa não significa o fim de um processo.
A vida acontece. Existem períodos em que precisamos parar, cuidar de outras situações e reorganizar tudo.
O mais importante é entender que podemos recomeçar.
O que a academia representa para mim hoje
Até agora, ainda não tive vontade de desistir.
Existem dias cansativos, dias em que o horário muda e dias em que começar o treino parece mais difícil. Mesmo assim, continuo gostando de estar ali.
Hoje, ir para a academia representa uma palavra:
Liberdade.
Liberdade para voltar a me movimentar.
Liberdade para cuidar da minha saúde.
Liberdade para usar as roupas de que gosto.
Liberdade para ter um momento que também é meu.
E liberdade para entender que eu posso ser mãe, cuidar da minha família e, ao mesmo tempo, cuidar de mim.
Meu conselho para quem está adiando
Para outra mulher que deseja começar a academia, mas continua adiando, meu conselho é simples:
Apenas comece.
Você não precisa saber tudo.
Não precisa estar com o corpo que deseja, ter a roupa perfeita, perder a vergonha antes ou esperar a rotina ficar completamente tranquila.
Comece do jeito que for possível.
A confiança, a organização e os resultados vão sendo construídos durante o caminho.
E você?
Já sentiu culpa por separar um tempo para cuidar de si? Conte nos comentários qual é a sua maior dificuldade para começar ou manter uma rotina de exercícios.

